Entre corridas, planilhas e reflexões: meu mês como motorista de aplicativo

 


Hoje foi dia de entregar o carro que aluguei para trabalhar como motorista de aplicativo. Neste mês de maio, comecei a rodar com a Uber. Olha… que aprendizado! Tudo, mas tudo mesmo, foi anotado na planilha: quilometragem inicial, final, gasto com combustível. Alimentava diariamente. A partir disso, conseguia observar os números e entender, na prática, como é essa realidade.


Acumulei muitas corridas ruins. Nossa… lugares longe demais! Geralmente, na última rua, do último bairro, na última casa.


Particularmente, eu tinha uma orientação interna: se aceitei a corrida, não iria cancelar. Como usuário do aplicativo, já passei muita raiva com cancelamentos. Mas, agora, entendo o porquê isso acontece: o valor para o motorista é muito ruim.


Só para você ter uma ideia: todos os dias percorria uma média de 150 a 200 km — ou até mais, dependendo do dia. O preço do km durante o mês ficou em R$ 1,45. Esse é o valor do motorista. Como aluguei o carro, tinha uma limitação de 5 mil km. No cenário “ideal”, seria pegar esses 5 mil km e multiplicar por R$ 2,00, o que geraria uma receita de R$ 10 mil. Mas a vida não funciona assim, né?


Num cenário mais próximo da realidade, com o km a R$ 1,45, a receita seria de R$ 7.250. E isso me faz pensar… por que aguentar pessoas com transtornos narcísicos e altamente egocêntricas nas empresas? Sem flexibilidade, perdendo a paciência com colegas que tentam te passar a rasteira? E não estou falando de uma empresa específica, só para deixar claro — não é uma indireta, é só uma reflexão.


Outra coisa: não vou entrar naquele discurso de “empreendedorismo”. Pela visão que construí, não enxergo assim. Não me sinto um empreendedor sendo motorista de aplicativo.


Neste mês, consegui gerar uma receita de R$ 5.500. O olho até brilha, né? Mas… vamos colocar os pés no chão! O carro era alugado, com custo de R$ 2.400. Já o gasto com combustível ficou em torno de R$ 1.530. Ou seja, o custo somente com o carro foi de R$ 3.930. E o que sobrou pra mim? Então… pouco mais de R$ 1.500.


Eu poderia ter alcançado minha projeção: uma receita bruta de R$ 6 mil e um retorno de cerca de R$ 2 mil. Mas precisei parar para participar de um processo seletivo e, além disso, a frente fria na última semana de maio desanimou o povo — quase ninguém saiu de casa.


Aí vem a pergunta: compensa? Com a Uber, já percebi que não. O valor é muito baixo para quem aluga carro.


Ah… sempre tem aquele abençoado que fala: “mas você tem que trabalhar muito para ganhar”. Gente… eu sempre trabalhei muito. Seja na área de Comunicação, Marketing ou agora, como motorista de aplicativo.


Já ouvi dizer que o inDrive tem uma remuneração melhor. O km pode chegar a até R$ 3,00, dependendo do horário. Se não for aprovado nos processos seletivos, talvez eu faça o teste com o inDrive.


No fim das contas, essa experiência me fez refletir — mais do que sobre dinheiro — sobre escolhas, limites e o valor do próprio tempo. Seguir em frente, com consciência e sem romantizar. Apenas com a clareza de quem viveu na prática.

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