Foi uma corrida bem simples. A saída foi no shopping Uberaba — o melhor shopping da terrinha...
Ele entrou no carro com o semblante fechado. Me cumprimentou, com um "boa noite" tão carregado que parecia conter o peso inteiro daquele momento. O destino dele era nas proximidades do mercadão municipal.
Durante o trajeto, eu espiava pelo retrovisor. O olhar dele estava tão longe... O corpo seguia ali, no banco de trás, quieto, mas o espírito, esse, parecia ter ficado em outro lugar — talvez ainda perdido entre as vitrines do shopping ou, quem sabe, preso em alguma lembrança daquelas difíceis de soltar.
Faltando pouco para chegar ao destino, ele quebrou o silêncio com um tom de voz sério:
— Domingo é um dia triste, não acha?
Fiz um sinal discreto, concordando. Não alonguei o assunto. Achei que talvez o silêncio fosse o espaço que ele precisava.
Mas confesso: fiquei curioso. Que tristeza era essa que ele carregava?
Naquela hora, pensei em mim também. Nessa "deprê" de domingo que, pra ser sincero, sempre me visita logo cedo. Acordo com ela, quase como um lembrete do que não terei, ou do que ficou para trás.
Imagino que, para ele, o domingo seja triste na mesma medida. Não perguntei. Não precisei. Talvez o melhor fosse mesmo não dizer nada. Só estar presente, acolhendo, mesmo que em silêncio, aquele rápido desabafo.
Boa semana a todos!

0 comentários:
Postar um comentário