Quero aproveitar esta data para compartilhar algo que vivi e que acredito que ilustra bem os desafios que ainda enfrentamos, mesmo em 2025.


Recentemente, participei de um processo seletivo para uma empresa familiar. Não fui aprovado — e tudo bem, faz parte do jogo profissional. O curioso foi que, durante toda a seleção, praticamente 8 em cada 10 frases eram: "Aqui é uma empresa familiar."

 


Outro dia, à noite, um pouco antes das dez. Estava parado em frente a uma pizzaria, esperando duas passageiras que tinham solicitado corrida com duas paradas. Entraram com um “boa noite” bem curto e seguiram na conversa delas. Calado estava e calado permaneci. Mas sempre atento.

Julguei que ambas deveriam ter, no máximo, uns vinte anos. Estavam animadas, falavam sobre o trabalho.

— A gente fez um levantamento e descobriu que todo mundo na empresa já passou por uma empresa júnior! Isso é tão legal! — disse uma.

— Miga, lá é muito legal mesmo. A Valentina do recrutamento é mara! Extremamente detalhista.

— Eu adoro a Veee. Ela sabe o que faz. Outra pessoa que gosto muito é o Enzo. Ele é o mais inteligente da empresa. Miga, acredita que tem um velho de uns 50 anos que vive pedindo ajuda pra ele? O Enzo vive atendendo esse velho! Ele é o head do sistema. Sabe de tudo! Tudo mesmo!

Dei uma leve risada por dentro. Por fora, mantive o silêncio profissional. Não queria prestar atenção. Mas não tive opção. Estava ali, absorvendo tudo entre semáforos e esquinas.

Confesso que fiquei pensando nesse “velho de 50 anos” que vive pedindo ajuda ao Enzo, o sabichão do sistema. Passou pela minha mente — com um toque de humor, é claro… Qual a idade do Enzo? Será que ele nunca recorreu ao Stack Overflow? E o “velho de 50 anos”? Quem seria ele? Diretor, CEO ou um simples analista? Será que, nessa empresa, existe mesmo um choque de gerações?

Não sei, viu… Só sei que, enquanto elas seguiam exaltando a cultura da startup, os líderes jovens, os apelidos carinhosos… tudo me lembrou a criadora de conteúdo Jéssica Diniz, aquela que faz a Ameinnnda e retrata tão bem o universo corporativo. Até imaginei as falas das amigas na voz da Jéssica.

A conversa terminou quando deixei uma delas. A outra seguiu no banco de trás, quieta, mexendo no celular.

E eu fiquei ali, dirigindo e pensando: talvez não seja só sobre saber tudo — ou muito pouco — de um sistema.

Talvez a chave mesmo esteja em saber navegar (com humildade) entre sistemas, pessoas, e idades.

 


Recentemente, participei de um processo seletivo em uma empresa aqui de Uberaba. Foi uma experiência interessante… Pude reviver aquele frio na barriga e a ansiedade natural de quem deseja ser contratado. O processo teve três etapas: uma entrevista inicial, o desenvolvimento de uma peça, e, por fim, uma entrevista com a vice-presidente. Confesso que achei curioso essa última etapa, já que a vaga era para Analista Júnior. Sim… Júnior. Mas tudo bem, não me apego ao título, e sim à experiência e ao desafio, desde que a remuneração esteja compatível com o meu custo de vida.


Infelizmente, não fui contratado. Mas algo me chamou bastante atenção: a ênfase na ideia de que “aqui é uma empresa familiar”. Apesar de gerar mais de 8 mil empregos, entre diretos e indiretos, o CEO mantém um acompanhamento próximo de todos os colaboradores, o que, de fato, fortalece a cultura organizacional.


Na primeira etapa, comentei que já vinha de uma empresa familiar, onde tinha contato direto com o CEO e muitas vezes resolvia questões diretamente com ele. Curiosamente, essa informação não pareceu ser levada em consideração. Na segunda etapa, reforçaram novamente que a empresa era familiar. E, na entrevista final com a vice-presidente, mais uma vez ouvi: “Aqui é uma empresa familiar”.


Falaram também sobre a importância da discrição, sobre projetos que podem ou não ser aprovados — algo que, sinceramente, encaro com naturalidade. A empresa não é minha, e acredito que é preciso maturidade para entender certas decisões. Também comentaram sobre a diferença entre já ter ocupado o cargo de especialista e agora pleitear uma vaga de analista.


Resumindo: de 10 frases que ouvi, 8 giravam em torno do “somos uma empresa familiar”. Isso me fez pensar. E, claro, se tem algo que faço naturalmente é questionar. Sou homem, cis, homossexual, com expressão de gênero masculina — e vivo isso com tranquilidade. Na devolutiva da recrutadora, ela disse que eu não fui aprovado “por um detalhe”. Mas que detalhe seria esse?


Outro ponto que me chamou atenção foi um comentário da vice-presidente sobre a minha aparência. Há cerca de um mês, raspei o cabelo e estou usando a barba mais cheia, como gosto. No meu portfólio, no entanto, apareço com cabelo maior e a barba mais curta. Uma pessoa que já trabalhou nessa empresa comentou comigo: “João, eles vão no detalhe do detalhe. Inclusive, o CEO não gosta de barba e os colaboradores não usam. Só tem uma pessoa que ele aceita”.


Por fim, existe também uma questão que não posso ignorar: o núcleo de RH aqui na cidade. Muitas empresas trocam informações. Um amigo, por exemplo, estava querendo sair de uma empresa e foi fazer uma entrevista em outra. Antes mesmo de receber a devolutiva da nova empresa, o RH da empresa onde ele trabalha já sabia que ele não havia sido aprovado. Como trabalhei com uma pessoa extremamente respeitada e influente, acredito que, de alguma forma, ela pode ter interferido. A ética e os valores dessa pessoa são referência para muita gente.


Então, não sei ao certo o motivo de não ter sido selecionado. Mas, honestamente, vejo três possibilidades: minha sexualidade, minha aparência (cabelo e barba) ou uma eventual influência dessa pessoa iluminada.

 


Hoje foi dia de entregar o carro que aluguei para trabalhar como motorista de aplicativo. Neste mês de maio, comecei a rodar com a Uber. Olha… que aprendizado! Tudo, mas tudo mesmo, foi anotado na planilha: quilometragem inicial, final, gasto com combustível. Alimentava diariamente. A partir disso, conseguia observar os números e entender, na prática, como é essa realidade.


Acumulei muitas corridas ruins. Nossa… lugares longe demais! Geralmente, na última rua, do último bairro, na última casa.

 


Por muito tempo, eu pensei que talvez nunca conseguisse despertar o interesse de alguém.

Quem, afinal, olharia para mim com verdadeiro desejo, com admiração… com amor?



Foi uma corrida bem simples. A saída foi no shopping Uberaba — o melhor shopping da terrinha...


Ele entrou no carro com o semblante fechado. Me cumprimentou, com um "boa noite" tão carregado que parecia conter o peso inteiro daquele momento. O destino dele era nas proximidades do mercadão municipal.



Olá! Tuduuuuu…

Mais um tema nas Crônicas do Lenhador da Casa Sommer…
Aqui, eu busco afiar as palavras como quem afia o machado: com calma, precisão e muita intenção.
E hoje, mais uma história, mais uma reflexão… pra cortar o que pesa e deixar só o que vale.

Ontem, domingo, me peguei rindo — meio nervoso, meio sem graça — dessa cena repetida que, aqui na terrinha, já virou quase tradição… Eita… É Uberaba!


Vou tentar movimentar esse espaço digital... Com as "Crônicas do Lenhador da Casa Sommer". Será um momento para afiar as palavras como quem afia o machado: com calma, intenção e precisão. Aqui, compartilho reflexões sobre as pequenas e grandes cenas da vida, sempre com aquele olhar que busca cortar o excesso e deixar só o que realmente importa.

Esse personagem — meio lenhador, meio bicho do mato — nasce da minha vontade de traduzir a força e a simplicidade das coisas que me atravessam: encontros, silêncios, afetos, incômodos… Um convite pra quem quiser caminhar junto, pelas trilhas da vida, com humor, introspecção e, claro, uma boa dose de autenticidade.

Coisas do Jaum é o meu refúgio virtual, onde organizo essas crônicas, imagens e pensamentos, deixando registrado aquilo que me move, me inquieta e, quem sabe, também provoque você.



https://www.brasildefato.com.br/2019/05/17/historias-por-tras-de-um-mercado-de-trabalho-que-se-fecha-para-pessoas-lgbt


Durante a graduação em Geografia, tive a oportunidade de estudar “Os territórios do (a) homoerotismo/homossexualidade no município de Uberaba (MG)”.


Neste ano, com a finalização do curso de MBA – Gestão Marketing e Recursos Humanos, foi possível contribuir ainda mais com a discussão sobre o tema, com a abordagem voltada para ocupação de cargos em empresas.


Link para download


Apenas relembrando, no primeiro trabalho, foi possível trazer pontos relevantes sobre os espaços, com a contribuição da ciência geográfica. Já o segundo trabalho, é focado no espaço de convívio social/laboral, que muitas das vezes é limitado só por pertencer aos grupos que divergem do padrão.


Esses que são inviabilizados, seja pelo gênero, etnia, religião e sexualidade.

Uma breve reflexão sobre o sistema político-econômico (socialismos, comunismo e capitalismo) e as perseguições aos homossexuais.