Uberaba/MG: Questão de Gênero

Recentemente, o vereador herói da família tradicional Uberabense, criou a cartilha “contra a ideologia de gênero”. Nela, ele afirma que a ideologia de gênero quer destruir a família. “A ideologia de gênero afirma que ninguém nasce homem ou mulher, mas poderá definir sua opção ao longo da vida. Gênero seria uma construção pessoal auto-definida, e ninguém deveria ser identificado como “homem” ou “mulher”. Este é um discurso usado por pessoas fundamentalistas, que tem como base o criacionismo como entendimento de vida. Com isso, não conseguem separar a vida pública da privada, a religião da política, a espiritualidade dos direitos civis, entre outros exemplos.



Contudo, posso forçar um pouco neste assunto, entendo que a sociedade é machista, na qual renega as diferenças, principalmente quando o assunto é diversidade sexual e arranjos sociais. Para os criacionistas que estão na política, Adão é o ser viril e intocável. Ele foi concebido nos moldes de seu criador. Até que veio a Eva, a submissa ao Adão. Aquela que é seu complemento e que foi seduzida pelo mal para comer do fruto proibido. E no passar das eras, as filhas de Eva carregaram este legado. Elas foram subjugadas como o sexo frágil, ser submissa ao homem, a não ter voz ativa na sociedade. Poderia inclusive citar versículos da bíblia... Eis que vem o movimento feminista e sua luta para acabar com a imposição machista da sociedade. Avanços aconteceram desde o início da sua militância.

Para os alfas e dominantes da sociedade (machistas) a força feminina se tornou uma ameaça a sua liderança social-histórica-criacionista. Pois, podemos entender que existe uma dualidade entre o masculino e o feminino. Quando a mulher passa a assumir o papel social do homem, acaba acontecendo uma ruptura da ordem dita como natural. O problema se torna mais grave quando se introduz o homossexual na guerra travada entre os gêneros. A sociedade não vê com bons olhos um homossexual que se rebaixa para outro homem e o mesmo quando uma lésbica ocupa o papel que seria do homem viril. Ou seja, esta é uma questão histórica onde a sexualidade alheia (âmbito privado) é julgada por toda a sociedade (vida pública), associada com o enfraquecimento da força dominante (machismo).

O medo de perder a liderança social-histórica-criacionista, provoca alterações de discursos, como esta ocasionada pelo vereador herói da família tradicional uberabense, destacado no seguinte trecho: “ninguém deveria ser identificado como ‘homem’ ou ‘mulher’”. O discurso não é este... muito menos ensinar uma criança a ser ativa sexualmente, como anda no imaginário das pessoas. Aliás, é uma forma hipócrita de julgar os profissionais da área de educação. Vereador sem formação acadêmica (na área de educação) não tem que interferir nas diretrizes das escolas (não sei se é o caso deste cidadão e líder religioso). É uma afronta aos profissionais da área de educação, que se capacitaram para assumir uma sala de aula. Não é papel da escola ensinar sobre sexo... isso é papel do ceio familiar - pai, mãe ou do responsável, já que o arranjo familiar se alterou.

A questão de gênero não está pautada na prática sexual, no individual da pessoa. Mas, no respeito pela diversidade existente na sociedade. É o respeito pela mulher, pelo homossexual, pelo transexual. É o respeito pela essência humana e principalmente, que não existe um modelo padrão patriarcal: homens podem assumir atividades que, ao longo da história, foram atribuías as mulheres; as mulheres podem ocupar funções fora de suas casas; reconhecer que o conceito de família mudou (dois homens, duas mulheres, pai ou mãe solteiro). É um tema abrangente que foge da visão limitada deste vereador uberabense.




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